Passando a Sujo

O tamarindo, fruta típica do Nordeste, tem uma característica peculiar. Ao primeiro contato com a boca, é doce, mas depois deixa de lembrança um gosto azedo, amargo. Tamarindo poderia ser o novo nome do Clássico Rei. Os dois principais times da terrinha, Ceará e Fortaleza, costumam apresentar ao torcedor um início de temporada animador, saboroso. Faturam campeonato estadual ou até regional, mas ao fim e ao cabo, no frigir dos ovos, devolvem a tricolores e alvinegros o gostinho amargo do quase.
O Troféu Bola Quadrada é destinado a dirigentes, técnicos e jogadores donos da indigesta mania de nadar, nadar e morrer na praia. Tantas braçadas a custo de nada têm custado a paciência de muitos torcedores. A ver.
Ceará e Fortaleza, fazem participações abaixo do esperado. Pior, assistem a times de menor ou igual expressão alcançando o topo. Para desgosto dos alvinegros, uma nova estrela está acima dos escudos de Atlético-GO (2016) e Joinville-SC (2014), campeões da Série B. Aos tricolores, restou acompanhar de longe o estouro do champanhe de Macaé-RJ (2014) e Boa Esporte-MG (2016), os donos da Terceirona.
Nos últimos dois anos, apenas o título inédito da Copa do Nordeste 2015, do Vovô, foi um alento para o futebol cearense. No mesmo ano, por pouco, o time alvinegro não foi rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro. Na mesma linha, o Fortaleza levantou a taça do Campeonato Cearense. O torcedor vibrou, fez festa, provocou o rival, mas também terminou o ano na pior: caiu no mata-mata da Terceira Divisão.
O torcedor está cansado, amigo. Os insucessos pesam ainda mais a camisa, o chamado manto sagrado do futebol. Sabemos que vai doer, mas é preciso engolir em seco os problemas, aceitar as deficiências e recuperar o fôlego para novos desafios. A Verdinha veste o uniforme do Inconformado Futebol Clube e concede à 2016 e aos últimos anos o Troféu Bola Quadrada.

Números

2014

CEARÁ - 38 Jogos, 16V 9E 13D (SG: 58-53)

FORTALEZA - 20 Jogos, 9V 10E 1D (SG: 24-12)

CEARÁ - Marcou gols em 30 jogos

CEARÁ - Sofreu gols em 29 jogos

FORTALEZA - Marcou gols em 13 jogos

FORTALEZA - Sofreu gols em 9 jogos

CEARÁ - Melhor série de vitórias: 3 Jogos

CEARÁ - Melhor série sem perder: 8 Jogos

FORTALEZA - Melhor série de vitórias: 3 Jogos

FORTALEZA - Melhor série sem perder: 13 Jogos

CEARÁ - Pior série de derrotas: 4 Jogos

CEARÁ - Pior série sem vencer: 5 Jogos

FORTALEZA - Pior série sem vencer: 3 Jogos

2015

CEARÁ - 38 Jogos, 12V 9E 17D (SG: 42-50)

FORTALEZA - 20 Jogos, 10V 7E 3D (SG: 30-15)

CEARÁ - Marcou gols em 24 jogos

CEARÁ - Sofreu gols em 27 jogos

FORTALEZA - Marcou gols em 14 jogos

FORTALEZA - Sofreu gols em 11 jogos

CEARÁ - Melhor série de vitórias: 5 Jogos

CEARÁ - Melhor série sem perder: 5 Jogos

FORTALEZA - Melhor série de vitórias: 3 Jogos

FORTALEZA - Melhor série sem perder: 6 Jogos

CEARÁ - Pior série de derrotas: 3 Jogos

CEARÁ - Pior série sem vencer: 12 Jogos

FORTALEZA - Pior série sem vencer: 3 Jogos

2016

CEARÁ - 38 Jogos, 14V 12E 12D (SG: 48-45)

FORTALEZA - 20 Jogos, 8V 8E 4D (SG: 27-18)

CEARÁ - Marcou gols em 28 jogos

CEARÁ - Sofreu gols em 27 jogos

FORTALEZA - Marcou gols em 15 jogos

FORTALEZA - Sofreu gols em 14 jogos

CEARÁ - Melhor série de vitórias: 3 Jogos

CEARÁ - Melhor série sem perder: 6 Jogos

FORTALEZA - Melhor série de vitórias: 3 Jogos

FORTALEZA - Melhor série sem perder: 6 Jogos

CEARÁ - Pior série de derrotas: 2 Jogos

CEARÁ - Pior série sem vencer: 11 Jogos

FORTALEZA - Pior série de derrotas: 2 Jogos

FORTALEZA - Pior série sem vencer: 3 Jogos

Na trave de novo

Donos do microfone

Arquibancada

O que tu achou do ano do FEC?

Cara, não tem como considerar o ano bom se o time não sair da Série C. Foi tudo bem (Copa do Brasil, bicampeonato, etc), menos isso. Além disso, no espectro administrativo também fomos bem. O time terminou o ano no verde, número de sócios cresceu, etc. Um ano agridoce.

Arthur Grieser Leal

Torcedor do Fortaleza
Arthur Grieser

Como tu se sente vendo o FEC pelo oitavo ano na Série C e ainda vendo times como Macaé e Boa sendo campeões?

É uma coisa que não tem explicação. Times menores, sem torcida e sem a expressão/representatividade do Fortaleza alçando voos muito mais altos que o nosso. Só olhar a Chapeconse aí como está hoje. Mas não adianta teorizar muito sobre isso, porque, como eu disse, é uma parada que não tem explicações. O time todo ano lidera, paga em dia, forma bons times e na hora H “pipoca”. É torcer para essa maré negra passar.

ALDRIN BOTELHO

Torcedor do Fortaleza
Aldrin Botelho

O que tu achou do ano do CSC?

Foi o pior ano desde o recomeço do Ceará, que foi 2009. O time ficou em 5º lugar no Campeonato Cearense, que é muito fraco, ficou de fora da Copa do Nordeste 2017, foi eliminado pelo Botafogo/PB na Copa do Brasil, passou 11 rodadas na série B sem vencer uma partida.

RAFAELA BRASILEIRO

Torcedora do Ceará
Rafaela Brasileiro

Como tu se sente, como torcedora, vendo equipes de menor expressão como Atlético-GO e Joinville sendo campeões da Série B e o Ceará sequer sem sair da Série B?

Agora é esperar pelo ano de 2017, já que não vamos competir a Copa do Nordeste, queremos dedicação à série B, para conseguirmos o nosso sonhado acesso. Para isso precisamos de dedicação por parte da diretoria, dos jogadores e demais envolvidos, porque nós torcedores sempre comparecemos e fazemos muito bem o papel de apoiar o time. Nós merecemos dedicação do time!

Luana Gomes

Torcedora do Ceará
Luana Gomes

Como tu se sente, como torcedora, vendo equipes de menor expressão como Atlético-GO e Joinville sendo campeões da Série B e o Ceará sequer sem sair da Série B?

Triste, porém, não surpreendida! Entra ano e sai ano e o que se ver no Ceará é uma gestão sem pulso, que deixa determinados jogadores mandarem no clube. Para esse ano de 2016 vieram vários jogadores lesionados ou com histórico de lesão, como o zagueiro Antônio Carlos e o lateral Maicon Silva. Jogadores que vieram e nem sequer jogaram, como o zagueiro André Paulino. Jogadores saindo totalmente de graça do clube, como Marino, Rafinha, Roni e o Bill. Além de o clube não valorizar jogadores da base como o Rafinha, Caio César, Lucas... O Ceará, desde o 2º semestre de 2015, tem retrocedido! E, para o torcedor que ama o clube, é de uma imensa tristeza!

RAFAELA BRASILEIRO

Torcedora do Ceará
Rafaela Brasileiro

Vai Doer

É, vai doer, amigo. E a palavra não é dos jornalistas que se debruçam sobre o Troféu Bola Quadrada, mas de especialistas em futebol, que respiram chuteiras, bolas, gols e decepções. A descrença não tem assento apenas ao lado de torcedores, fanáticos ou ocasionais.
Vai doer porque o fazer clubístico segue dando as mesmas cartas nos jogos de azar. Sai presidente, entra presidente e a sina de desperdícios é a mesma. Ganha-se um estadual ou um regional e pronto, está resolvido. Ou o time joga feito Barcelona ou concorre com Íbis, e deixa escorrer a chance de acesso. São os extremos sem dose certa que prejudicam o crescimento do racional.
Há quantos anos não se vê um jovem promissor de categoria de base mantido no elenco, com uma direção resistente à sedução externa e virando ídolo do time? O mesmo vale para técnicos demitidos (ou não) de Fortaleza ou Ceará antes de 12 meses completos de trabalho.
Precisamos de notícias recheadas de gosto, de contratações embasadas em projeções sólidas de desempenho. O tradicional bom início de temporada da “Dupla Rei” contrasta com outubros e novembros de desesperança.
O Fortaleza precisa encarar o fantasma das quartas de final sem tremer, pisando na grama com a mesma força com que leoninos vibram e empurram das arquibancadas.
O Ceará tem obstáculo semelhante à frente. O returno é o Monstro do Pântano, o Abominável Homem das Neves, o Labo Mau que assopra e faz desmontar construções frágeis.
Sim, vai doer. Talvez tenhamos um 2017 mágico, traindo previsões apocalípticas e embrulhos no estômago dos vibrantes torcedores, que lotam a Arena Castelão ou o Presidente Vargas, à revelia dos resultados em campo. Não é o desenho atual. Deveria ser. Acredite, queremos estar errados!

De olho no futuro

A categoria de base de um clube de futebol é uma das suas maiores fontes de renda. A formação de jovens atletas possibilita as agremiações realizarem bons negócios com outras equipes espalhadas pelo mundo. No Brasil, a maior referência no assunto é o Santos. Pois, foi do alvinegro praiano que, recentemente, saíram craques como Robinho, Diego, Paulo Henrique Ganso e Neymar.

Olho Neles

Fortaleza

Na última década, o Fortaleza foi o clube que deu maior atenção para as categorias de base. Da escolhinha tricolor saíram atletas que hoje brilham nos gramados do Brasil como Osvaldo e do exterior, que é o caso do atacante Ari. Além, claro, de outros atletas que viraram ídolos da torcida como Clodoaldo.
Entre as participações em competições de expressão, destaque para o ano de 2006, quando o Leãozinho chegou à terceira fase da Copa São Paulo. Na ocasião, ele chegou a derrotar, nos pênaltis, o Corinthians.
Porém, os anos passaram e o trabalho não foi mantido. Para piorar, os tricolores viram seu arquirrival, Ceará, melhorar a estrutura e fazer frente ao Leão. Agora, o tempo é de recomeço e a chance para os garotos Esdras e Dênis aparecerem.

Ceará

O trabalho desenvolvido na base alvinegra têm melhorado nos últimos anos. Na década passada, o Estado era "dominado" pelos rivais Ferroviário e Fortaleza. Porém, desde a compra do Centro de Treinamento do Nordeste (Ceten), o Ceará vem obtendo melhores resultados nas categorias mais jovens.
Em 2015, por exemplo, o Vovozinho foi campeão cearense em todas as divisões de base. Isso foi considerado um grande feito para o clube que, até pouco tempo, não possuía uma estrutura mínima para desenvolver seus jovens atletas.
No ano seguinte, 2016, foi a vez do sub-20 fazer um bom papel. Na última edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Ceará fez sua melhor campanha na competição. Alcançou às oitavas de final do certame, após ter derrotado o Santos, conhecido ser uma das referências do Brasil.
Devido ao bom desempenho, jovens garotos como o volante Raul e o atacante Arthur foram incorporados aos profissionais e receberam chances na Série B do Campeonato Brasileiro. "Em breve, dentro de 4 e 5 anos, 50% do grupo do profissional deverá ser formado na base", projeta o diretor do sub-20, Anderson Silva.